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quinta-feira, 17 de maio de 2007

F.Liszt - Poema Sinfônico nº3 "Les Preludes"

O período em Weimar (1848 – 1858) a serviço do Grão-duque fez com que Liszt, além de virtuose do piano, passasse a ser virtuose de orquestra e, assim como Hector Berlioz em suas sinfonias programáticas – Symphonie fantastique, Romeu e Julieta, Harold na Itália – o compositor húngaro passou a defender o ideal de “uma renovação na música por meio de uma ligação mais íntima com a poesia”, ou seja, o “poema sinfônico”.

Les Preludes originalmente foi idealizada para ser a introdução a uma cantata que Liszt escreveu em 1844. No entanto, o título não se refere ao prelúdio àquela obra, mas sim ao poema “Les Preludes”, parte das Meditations Poethiques do poeta romântico francês Alphonse de Lamartine. Porém, Liszt escreveu um prefácio na partitura, um parágrafo:

“Que mais é nossa vida senão uma série de prelúdios a esse canto desconhecido, cuja primeira nota solene é a morte que entoa? O amor é a alvorada encantada de toda existência; mas quem é bem-afortunado o bastante para não ter seus primeiros deleites de felicidade interrompidos por alguma tempestade da vida, a explosão mortal na qual se dissipam as ilusões do amor, (...)”

Isso quer dizer que a música é a expressão de vários estados de espírito, de uma natureza apaixonada e radical, uma combinação que refletia muito bem a personalidade do próprio Liszt, segundo o britânico Peter Brien. A obra compreende somente um movimento, que começa com uma lenta introdução ao primeiro e principal tema da música. Segue-se a isso, em contraste, um tema de “amor”, após o qual as “tempestades da vida” aparecem com impetuosa força e violência. Logo após, há uma seção mais calma, porém breve, que precede ao retorno da energia anterior numa triunfante conclusão de caráter marcial.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

22 de Maio de 2007

Regente: Manfredo Schmiedt

quarta-feira, 16 de maio de 2007

F.Liszt - Concerto para Piano e Orquestra nº1, em Mi bemol Maior

Em seus anos de longa experimentação virtuosística, Franz Liszt (1811 – 1886) criou novas técnicas para tocar piano, por um lado, baseado na magia do virtuosismo acrobático de Paganini ao violino e, por outro, no desejo obsessivo de produzir efeitos sinfônicos ao piano. Os primeiros esboços deste concerto chegam a 1830, termina uma versão adiantada em 1849, e revisa pelo menos duas vezes até sua publicação em 1857.

Escrito numa época em que o compositor voltara-se mais para a composição orquestral a partir de uma idéia poética, encontram-se aqui os traços mais marcantes de suas realizações musicais, a técnica pianística unida com o espírito do poema sinfônico. Além disso, Liszt toma de Hector Berlioz um recurso pioneiro (Berlioz regeu Liszt ao piano na estréia deste concerto no ano de 1855, em Weimar): a ligação associativa de temas por meio de uma idéia fixa recorrente para unir todos os movimentos, procedimento que Beethoven já usara.

A principal idéia do primeiro tema recorre de modo a dominar o ambiente musical do concerto como um todo. Trata-se de um tema heróico, grandioso com as cordas em uníssono pontuadas com uma resposta dos sopros, até que o piano assume o controle, numa seqüência ascendente de saltos de oitava, e logo executa uma cadenza. Um segundo tema, melancolicamente lírico surge, porém logo em seguida, a idéia principal do início prevalece e é conduzida com algumas variações até um suave final deste Allegro maestoso. O segundo movimento, Quasi adagio, assume um caráter meditativo, caracterizado por um longo solo do piano, e mais tarde quando a orquestra retorna, uma seção mais rápida e apaixonada é sucedida por uma passagem de caráter contemplativo e, de forma surpreendente, conduz sem paradas a um espirituoso scherzo, salientado pelo mordaz triângulo. Segundo Helmut Rhom, é nesse movimento (Allegretto vivace - Allegro animatto) que Liszt expande o concerto em sua forma usual de três movimentos, aplicando o conceito de “concerto sinfônico”. O quarto movimento, Allegro marziale animatto, é uma recapitulação rápida de todos os motivos usados no concerto, com a idéia principal do 1º movimento concluindo a obra de forma arrebatadora.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

22 de Maio de 2007

Solista: Josias Matschulat
Regente: Manfredo Schmiedt