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segunda-feira, 4 de junho de 2007

J.Sibelius - Sinfonia nº2

Transcorridos 50 anos de falecimento, Jean Sibelius (1865 – 1957) ainda é lembrado como o principal compositor finlandês, compondo um dos mais belos concertos de violino já escritos para este instrumento, além de compor o que acabou sendo a melodia do Hino da Finlândia. É digno de nota que a natureza, assim como a mitologia, sempre estão presentes na sua música. Imbuído de uma série de características estilísticas próprias, como repetitivos trêmulos nas cordas (fazendo um efeito pulsante), longas notas que se sustentam, seu estilo harmônico caracteriza uma linguagem bastante diferenciada. Outra marca da música do compositor finlandês é sua habilidade de apresentar dois andamentos contrastantes ao mesmo tempo, o primeiro rápido e movido, o outro lento, marcado, reforçando a ação musical como um dobrar de sinos. Apesar de suas obras posteriores serem mais compactas, algumas destas características peculiares de Sibelius, como compositor orquestral, aparecem pela primeira vez na sua Sinfonia nº2. Escrita em 1901, durante uma viagem pela Itália e pela Europa Central com sua família, sua segunda sinfonia situa-se num contexto de puro sucesso na vida do compositor, que estreara havia pouco uma de suas obras mais conhecidas: Finlandia. Na sua estréia, a nova sinfonia foi um sucesso de público e o concerto foi repetido quatro vezes.

O primeiro movimento, o mais avançado estilisticamente, é ao mesmo tempo sutil e complexo na sua construção. As variadas melodias, apesar de serem muitas, são relacionadas umas às outras e, o mais interessante, parecem nascer umas das outras. Tanto é assim que a mesma configuração rítmica pulsante nos violinos, presente no início, termina o movimento, mas de uma forma quase que abrupta. O movimento lento, de caráter semelhante a uma rapsódia, começa com uma linha contínua em pizzicato pelos contrabaixos, de onde vem uma tristonha melodia dos fagotes. Em determinado momento neste movimento, o andamento acelera em direção a uma passagem apoteótica dos metais. O 3º movimento, um scherzo vivacíssimo, é mais conciso. Segue-se um Trio (Lento), marcado por uma singular melodia executada pelo oboé. O scherzo é repetido assim como o Trio, só que desta vez conduz de forma arrebatadora para o finale, o último movimento, que é marcado por longas tentativas modulatórias e por uma incrível tensão que conduz a um enérgico final caracterizado pela explosão sonora dos metais.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

5 de junho de 2007

Regente: Carlos Eduardo Moreno

domingo, 22 de abril de 2007

Jean Sibelius - Concerto para Violino e Orquestra em Ré menor, op.47

Este é o único Concerto de Jean Sibelius (1865 – 1957) para instrumento solista e orquestra, o compositor finlandês deixou apenas outras peças menores para violino e orquestra, como Serenatas e Humoresques. Ela destaca-se das demais obras do compositor justamente por isso e pelo seu tom especial e fantástico, integrando a literatura de concertos como obra consagrada para violino e orquestra juntamente com os concertos de Beethoven, Mendelssohn, Brahms e Tchaikovsky. A primeira versão, de 1903, não agradou nem ao público nem ao compositor, apresentava-se mais complexa, mais desunida, além de ser também ainda mais difícil tecnicamente. Buscando um equilíbrio de expressividade maior na sua forma geral, Sibelius revisou e atingiu um resultado que é magnífico. Esta versão final, que veremos hoje, foi estreada em Outubro de 1905, em Berlim, sob a batuta de Richard Strauss. Conforme consta no Centro de Informações de Música Finlandesa, neste Concerto para Violino, Sibelius conseguiu fundir admiravelmente a continuidade sinfônica desejada com uma extrema complexidade técnica, não havendo nada de superficial na virtuosidade da peça. Tudo se faz necessário, até mesmo a cadenza no primeiro movimento, que além de ser uma amostra de virtuosismo, faz também parte essencial da estrutura geral, sendo o grandioso clímax do desenvolvimento do primeiro movimento. Com certeza, a escrita violinística deste concerto exige um solista com habilidades técnicas superiores, mas ao mesmo tempo, o compositor soube explorar todo o inesgotável potencial lírico e melódico do violino.

O concerto começa com algo místico, as cordas pulsando levemente, e então, o violino apresenta uma idéia simples, doce e expressiva. A clarineta repete o tema, e logo após vemos a genialidade de Jean Sibelius, no que se refere ao ambiente harmônico estabelecido. Então um segundo tema apaixonado é dado pela orquestra, seguido do solista, extraindo tudo o que se consegue de expressividade e lirismo do instrumento numa região aguda do mesmo. Ao final do movimento orquestra e o solista retomam simultaneamente todos os temas já expostos anteriormente em uma finalização apoteótica.

Já o segundo movimento, Adagio Di Molto, estabelece um contraste gritante entre os outros dois movimentos. Melodioso, o compositor desenvolve todo o potencial lírico do violino. Uma breve introdução da orquestra deixa o caminho aberto para um solo que lembra uma canção, incrivelmente bela e tocante, acompanhado pela orquestra. É nesse movimento que Sibelius expressa em música toda sua capacidade expressiva, e carga emocional.

Seu movimento final é uma dança que leva a virtuosidade da peça ao seu clímax. Cabe ao violino o anúncio da primeira idéia, a orquestra replica com uma segunda que retomado pelo violino varia o tema, com arpejos, acordes, escalas em harmônicos, até que chega ao ponto em que o solista fica tão ocupado com suas passagens virtuosísticas, que a orquestra toma a dianteira, e conduz a um final extremamente brilhante, com o violino numa nota agudíssima e a orquestra terminando em um esplendoroso uníssono.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

17 de Abril de 2007

Solista: Daniel Guedes

Regente: Nicolas Rauss

Jean Sibelius - Finlandia, op.26

Por volta de 1898, Jean Sibelius passava por um momento em que ele não estava satisfeito com a resposta do público na época, ou com o que ele achava que deveria ser uma resposta satisfatória à sua obra. Apesar de que ele já tinha começado a receber a generosa ajuda financeira anual provinda do governo finlandês, e que o sustentaria ao longo de sua vida, ele era muito sensível a respeito da vontade e, obviamente, da habilidade do público de acompanhar a evolução de sua linguagem musical. Ele expressou esse sentimento em seu diário, em Setembro de 1898: “Quão disposto estaria eu a sacrificar parte da ajuda financeira que tenho recebido em troca de entendimento e simpatia à minha arte – se alguém amasse meu trabalho.”.

Essas palavras parecem para nós tão incoerentes, especialmente devido à rapidez que essa situação mudou. A estréia de sua 1ª sinfonia, em Abril de 1899, foi tão bem sucedida, que foi a obra principal da Tour Européia da virada do século, realizada pela Filarmônica de Helsinque, e com esse sucesso, Sibelius foi comissionado a escrever música para uma série de quadros a respeito da história finlandesa. Ou seja, a obra que ouviremos se caracteriza como um Poema Sinfônico, pois retrata passo por passo uma determinada história, como se fosse uma trilha sonora, no caso, de antigas histórias finlandesas. Originalmente chamada “Finlândia Acorda”, ficou conhecida simplesmente como Finlandia, e foi usada num movimento para mobilizar o povo a opor-se contra a revogação da autonomia finlandesa pelo governo do Império Russo (na época se chamava Grande Ducado da Finlândia). Portanto, podemos afirmar que foi justamente esta música que colocou, e coloca até os dias de hoje, Sibelius como “o compositor finlandês”. A mensagem que esta grandiosa obra transmite é poderosa. Tanto é assim, que a história conta que foi tocada para soldados finlandeses antes de batalhas na guerra contra a Rússia. Porém, enquanto não há nada de errado com a figura de Sibelius como um autêntico nacionalista finlandês em si mesmo, é um pouco desapontador descobrir que na verdade seus pais eram suecos e ele só aprendeu a língua finlandesa quando já era adulto, apesar de ter nascido e sempre vivido na Finlândia.

Boa parte da peça é composta de música vibrante e turbulenta, evocando desta forma a bravura inerente ao povo finlandês. Porém, no final, uma calmaria sobrevém à orquestra e a serena melodia do Hino Finlandês é ouvida. É muito comum afirmar erroneamente que esta passagem é uma melodia folclórica finlandesa, porém ela é da própria autoria de Sibelius. Mais tarde, ele remodelou o “Finlandia-hymni” como uma única peça, cuja letra foi escrita em 1941 pelo escritor e poeta finlandês Veikko Antero Koskenniemi.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

17 de Abril de 2007

Regente: Nicolas Rauss