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terça-feira, 19 de junho de 2007

Tchaikovsky - Concerto para Piano e orquestra nº1, op.23, em si bemol menor

Quando Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840 – 1893), no inverno de 1874, decidiu compor seu primeiro Concerto para Piano, ele pouco havia lidado com música para piano. A respeito deste instrumento, fundamental para o desenvolvimento da música no século XIX, quase não existem anotações de Tchaikovsky, a não ser uma carta em que o compositor descreve a relação entre piano e orquestra – inserida dentro do gênero do concerto – como a “luta de duas forças iguais”.

O Concerto nº1 é bastante marcado por essa concepção energética e vigorosa. Definitivamente, é uma das obras que servem de modelo como música para piano e orquestra, e seu começo é uma das passagens musicais mais iconizadas. Porém, o pianista a quem originalmente foi escrito, Nikolai Rubinstein, de início achou-o muito desagradável, recusando-se a tocar o concerto. Desapontado, Tchaikovsky mudou a dedicatória em favor de outro virtuose muito apreciado por ele, Hans Von Bülow. Este, mais satisfeito, estreou o concerto no outono de 1875, em Boston. Obteve tanto sucesso, que Rubinstein se viu obrigado a voltar atrás, fazendo assim sua estréia européia em Paris, em 1878. Apesar de todas as mudanças no gosto do público, este concerto se mantém no mais alto ponto de popularidade até hoje, o que mostra que não perdeu nada de seu efeito e de sua força de espírito.

As trompas iniciam este concerto com um famoso ataque, e logo após surge o piano com uma sucessão de acordes ascendentes e colossais, como acompanhamento da melodia da orquestra, que é interrompida em seu desdobramento pelo solista em toda sua pujança. É justamente esta postura da música, que avançaa nervosa e intranqüila, procurando incessantemente um ponto de repouso – embora não consiga encontrar -, que deve ser a fonte da intensa motivação do concerto. A simplicidade do segundo movimento, com uma lânguida melodia e uma seção intermediária de andamento mais rápido, é contrastada com o impetuoso vigor do terceiro movimento, guiado por uma dança cossaca, que leva o concerto para um vigoroso final.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

19 de Junho de 2007

Solista: André Carrara (piano)
Regente: Manfredo Schmiedt

terça-feira, 8 de maio de 2007

Tchaikovsky - Francesca da Rimini, op.32

Aproximadamente sete séculos após a criação da Divina Comédia, de Dante Alighieri, Piotr Ilyich Tchaikovsky transforma o Canto V da 1ª parte da referida trilogia, Inferno, em música. Esta parte da obra conta a história do sofrimento de Francesca da Polenta e de seu cunhado e amante Paolo Malatesta da Rimini, irmão de Giovanni, marido traído de Francesca. Segundo Dante, Francesca e Paolo ficaram na parte do Inferno destinada aos adúlteros, juntamente com Helena de Tróia, Páris, Cleópatra, Tristão, Isolda, e outros que, em vida, pecaram pelas tempestuosas paixões que sentiam, e assim eram condenados a eternas tormentas no inferno. Tchaikovsky, durante uma viagem de trem entre Alemanha e Rússia, lera um libreto enviado por seu irmão, Modest, pois este ficou sabendo que seu irmão compositor estava ansioso para escrever uma ópera, e sugeriu que tomasse a história de Francesca da Rimini como tema. Porém, o projeto de ópera foi adiado. Conforme o próprio Tchaikovsky escreveu para o seu irmão, ele foi “tomado completamente pelo desejo de escrever um poema sinfônico sobre Francesca”. Pelo que tudo indica, este grandioso poema sinfônico foi feito em Moscou, no outono de 1876, em apenas três semanas. Poema sinfônico quer dizer música programática, música incidental, feita para representar em música certa cronologia de fatos.

Não é diferente aqui, em que a lúgubre seção introdutória pode ser identificada como a passagem de Dante pelo Rio Styx, um dos três rios que faziam a fronteira do tártaro, e através dos portões do submundo (“Abandonai toda esperança, vós que aqui entrais”). A esta cena, segue-se uma furiosa passagem que retrata as ventanias e tormentas do limbo onde os adúlteros ficaram. Em contraste com essa música violenta, a seção central é Francesca da Rimini narrando a história trágica de seu amor por Paolo. Aqui se tem um total tratamento orquestral, constituído de variações livres sobre o tema de Francesca, uma melodia ardente de extremo lirismo. Mas esse idílico interlúdio é cortado abruptamente pela volta dos furacões do inferno, e Francesca da Rimini termina ferozmente com poderosos acordes em toda a orquestra.

Program Notes © 2007 by Eduardo Knob

8 de Maio de 2007

Regente: Osman Gioia